14 de agosto de 2009

Fóssil ataca de novo

Pergunta direcionada aos simpatizantes do bolivarianismo vira-latas de Hugo Chávez: como noticiou a BBC e outras, o presidente venezuelano irá usar as escolas e universidades como centros de catequese socialista. Ou seja: vai empurrar pela marra nas mentes em formação idéias que não são partilhadas por todos (e mesmo que fossem!). Qual é a diferença disso para a tentativa de imposição politica do criacionismo feita pelos "neocons" da raivosa direita cristã americana?

Outro dia vi o jornalista Leandro Fortes ridicularizando o "pavor físico que a presença de Hugo Chávez na presidência da Venezuela" provoca em jornalistas e a analistas brasileiros. Isso levantra outra pergunta. O aparelhamento de um dos bens mais preciosos que um país pode ter não é, como direi?, digno de alerta?

12 de agosto de 2009

Só mais um

Segundo o site "Vermelho.org", o técnico da seleção argentina Diego Maradona afirmou que morreria por Fidel Castro. Bobagem. Seria só mais um: muita gente já morreu por, para, em decorrência e a mando do ditador cubano.

3 de agosto de 2009

Pela lógica, meus caros, vocês perdem

O jornalista Leandro Fortes, que usualmente assina as pautas políticas da revista Carta Capital e é autor do blog "Brasília, eu vi", aparenta não ter entendido um dos principais argumentos daqueles que são favoráveis a não obrigatoriedade do diploma para exercer jornalismo. Em post recente o jornalista escreve que "para quem acha que qualquer um pode ser jornalista, desde que escreva direitinho e saiba cozinhar, aqui vai uma dica de um repórter exausto e feliz: tentem a área de publicidade". É claro que não basta saber escrever direitinho para exercer jornalismo, sobretudo bom jornalismo. É necessário também saber apurar, avaliar, ser crítico e deixar a inocência bem longe. Nada disso, porém, se adquire exclusivamente com os cursos universitários de jornalismo. A não existência da necessidade de cursar jornalismo para exercê-lo é, portanto, um dos principais argumentos.

Fortes parece violar uma regrinha básica da boa argumentação. É de bom tom que se um argumentador defende uma tese P e outro argumentador defende uma tese não P, ambos devem combater os melhores argumentos que sustentam a tese do oponente. Por exemplo, se eu sou favorável ao aborto e o papa é contrário, é argumentativamente virtuoso que eu combata os melhores argumentos contrários ao aborto, e não os piores. Combater os piores argumentos de uma tese qualquer é o que chamamos de "falácia do espantalho". Se o Jornalista acha que todos os que são contrários a necessidade do diploma acreditam que "basta saber escrever direitinho" para ser jornalista, torna-se falacioso.

Aliás, quem disser que o diploma é necessário para o exercício da profissão, como quer o Senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), terá alguns problemas. Basta que se encontre algum bom jornalista não diplomado para se provar que não é necessário ter diploma. Isso fica claro com a seguinte ilustração:

(i) É necessário ter diploma para fazer jornalismo
(ii) Fulano faz jornalismo e não tem diploma

Dado que é muito mais fácil demonstrar que há não diplomados fazendo jornalismo do que demonstrar a necessidade do diploma para executar o ofício (ambas as proposições não podem ser simultaneamente verdadeiras), a noção informal da plausibilidade nos autoriza a afirmar que (i) é provavelmente falsa.

O senador citado acima é autor de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que diz o seguinte: “O exercício da profissão de jornalista é privativo do portador de diploma de curso superior de comunicação social, com habilitação em jornalismo, expedido por curso reconhecido pelo Ministério da Educação, nos termos da lei”. Ficam de fora do escopo do texto os colaboradores sem vínculo empregatício com o veículo e o jornalista não diplomado que já possui registro profissional. Com uma pequena análise, é fácil mostrar duas dificuldades que a proposta do senador enfrenta.

A primeira é óbvia e já foi demonstrada. A segunda é um pouco mais sutil. Uma vez que a profissão de jornalista é privativa do “portador de diploma de curso de comunicação social, com habilitação em jornalismo” e considerando também que o senador vê a necessidade dos cursos universitários para o exercício da profissão, fica difícil de entender porque os jornalistas não diplomados porém registrados foram excluídos da PEC do senador. Por que em certas circunstâncias um registro faz um jornalista e em outras não? Que se vá, então, todo mundo para a escolinha! Se ele admite a existência de jornalistas sem diploma (somente registrados), admite também que o curso universitário não é necessário para se exercer jornalismo. Dessa forma, o jornalismo deixa de ser uma atividade privativa ao portador de diploma. Difícil de entender.

31 de julho de 2009

Bonitinha, mas...

A mulher do jogador Kaká, Caroline Celico, deveria seguir a cartilha informal das belas mulheres que vivem à sombra de uma grande celebridade: manter a boca fechada. Infelizmente, resolveu se transformar em pastora da Igreja Renascer em Cristo. Para quem não se lembra, os donos da Renascer tentaram há poucos anos entrar nos EUA com dinheiro não declarado. Como lá não é aqui, amargaram uns tempos na cadeia. Em sua estréia no púlpito, a "pastora Carol", além de comentar sua importante decisão de casar-se virgem, afirmou que a contratação de Kaká pelo Real Madrid em plenos tempos de crise financeira só pode ser obra de Deus. "Como que pode, no meio da crise, alguém ter dinheiro? Ninguém tem dinheiro! Eu tava pensando nisso outro dia, né. Porque a crise... ninguém tem dinheiro, então o dinheiro do mundo tem que estar em algum lugar. E Deus colocou esse dinheiro na mão de quem? Do Real Madrid, para contratar o Kaká", filosofou com sofisticação Caroline, como se a crise tivesse deixado todo mundo sem meio tostão.

Caroline parece ignorar que o Real Madrid é um dos times de futebol mais ricos do mundo. Segundo a revista Forbes, o time merengue ocupa a segunda colocação entre os mais ricos, perdendo somente para o Manchester United. Talvez isso faça da contratação de Kaká algo nem tão surpreendente assim. Surpreendente seria a gloriosa Cabofriense assinar com o jogador. Aí sim Deus seria a melhor explicação. O Real Madrid, porém, mesmo em momentos de crise, aparenta estar razoavelmente bem de saúde. Mas a pergunta que fica é: não teria Deus maiores prioridades com 65 milhões de euros do que a contratação de um jogador de futebol? Sei lá, quem sabe ajudar no pagamento de precatórios à população. O presidente do Barcelona Joan Laporta que abra os olhos. Para Caroline Celico, Deus agora virou cartola. E merengue.

5 de julho de 2009

Requentando...

Não dá para ficar entediado acompanhando o noticiário político do Brasil. A novidade agora é que nomes de destaque do governo andaram inflando seus currículos. Dilma Rousseff, titular da Casa Civil, ostentava os títulos de mestrado e doutorado em economia pela Unicamp. A revista Piauí apurou o imbróglio e descobriu que Dilma não tinha sequer defendido as teses necessárias para a obtenção dos títulos. Tão logo a farsa foi denunciada, a ministra não tardou em atualizar seu Currículo Lattes. Outro que aparentemente deu uma ligeira reforçada no currículo foi o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim. Depois de "possuir" por tanto tempo um opulento doutorado pela prestigiosa London School of Economics, o ministro admitiu que só fez estudos de doutorado sem, no entanto, obter o grau de doutor

Alguém aí já ligou para o Senai para checar se certo curso de tornearia mecânica realmente foi terminado?

Ninguém mais fala no assunto

Há pouco mais de dois anos, o governo não parava de falar na implantação da TV Digital no Brasil. O ministro Hélio Costa se orgulhava da escolha do modelo japonês de transmissão digital. Embora as transmissões em modelo digital já tenham começado, são muito pouco acessíveis ao grande público. Quase ninguém tem dinheiro para comprar os famigerados conversores e muito menos para comprar TVs já preparadas para o modelo.

27 de junho de 2009

Sensatez

Ainda sobre a desregulamentação da profissão de jornalista, o colunista da Folha Online Hélio Schwartsman escreve um sensatíssimo texto que pode ser lido aqui. Além dessa pauta (que já está em vias de esfriar), Schwartsman faz também uma excelente reflexão sobre o espírito corporativista comum ao brasileiro.

22 de junho de 2009

O choro é livre

Poucos dias se passaram desde a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que acaba com a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para exercer a profissão. Os protestos, claro, já são numerosos. Ora, qualquer um que tenha estudado jornalismo sabe que se aprende a fazer jornalismo fazendo, oh!, jornalismo. As graduações, grosso modo, oferecem uma abordagem rasa de assuntos como filosofia, economia, sociologia e alguns outros emaranhados teóricos. Quando oferecem muito, dão ao aluno técnica razoável para redigir um lead e matéria redondinhos.

Nada, é claro, que uma pessoa relativamente talentosa não aprenda diretamente com a prática. Se assim não fosse, não teria como haver jornalismo antes da fundação da Cásper Líbero, que é a primeira escola de jornalismo brasileira - fundada ali pelos idos da década de 1940. Desregulamentar a profissão traz os benefícios de aumentar a concorrência entre profissionais, eliminar uma reserva de mercado que não tem razões para existir e, além disso, como um bom efeito colateral, elevar o nível das faculdades que ensinam jornalismo. Já que houve a desregulamentação, que os cursos ofereçam algo de diferente, então.

É inútil também argumentar que com o fim da obrigatoriedade do diploma qualquer um poderá ser jornalista. Em primeiro lugar, e até onde me chegou, quem vai diferenciar os bons dos ruins é, no fim das contas, a demanda que consome jornalismo (e evidentemente os veículos de comunicação ficarão ligados em suas redações para ajudar a diferenciá-los). Nenhum jornal quer arriscar perder leitores por culpa de uma burrada de jornalista incapaz. A própria competição entre diferentes veículos de comunicação serve como uma espécie de filtro que tende a eliminar os mais fracos. A medida do STF só ratifica a obviedade de que se um diplomado for mais fraco do que um não diplomado, que o primeiro saia e dê lugar ao segundo.

Em tempo, me assombra o barulho feito por causa da comparação que o ministro Gilmar Mendes fez entre jornalistas e cozinheiros. Os jornalistas deveriam se sentir honrados! Bom cozinheiro atualmente é moeda rara no mercado. Não estão, de forma alguma, abaixo dos jornalistas. Mas entendo. Por vezes o ego apita mais alto. Por fim, meu recado aos diplomados militantes é: se o curso de jornalismo é necessário como vocês acreditam que é, o provem no próprio mercado. Ora, se vocês estiverem certos, não há muito o que temer, não é mesmo?

Bois e vacas, não; gente, sim

Li na Folha Online dia desses que a ONG Peta lançará fotos sensuais da neta de Che Guevara, Lydia Guevara, de 24 anos, para divulgar o vegetarianismo. A neta do revolucionário argentino é vegetariana. O porta-voz da ONG Michael McGral afirmou que a campanha pede às pessoas que "se unam à revolução vegetariana". Ainda segundo Mcgral, a frase serve como uma homenagem a Che Guevara.

Interessante a iniciativa do pessoal do Peta. Para combater, digamos, a matança de animais, fazem apologia a um dos maiores carniceiros do século XX. A diferença é que Che não matava bois e vacas, matava era gente mesmo.

4 de junho de 2009

Resenha e discussão

A resenha que fiz do livro A Volta do Idiota, de Montaner, Apuleyo e Llosa foi publicada no site Crítica na Rede. Pode ser acessada no endereço http://criticanarede.com/html/idiota.html.

Como o texto lida com um tema sensível, gerou bastante discussão no blog do site. A discussão pode ser vista em http://blog.criticanarede.com/2009/06/volta-do-idiota.html#comment-form.

30 de maio de 2009

Teatrinhos e sujinhos

Ontem eu estava no bar. Como de costume, eu queria beber alguma cerveja com meus amigos e falar mal de pessoas que, obviamente, não estavam no bar. Ali pelas onze e meia da noite entram no boteco uma menina com aspecto sujinho e um rapaz de vinte e poucos anos. A menina portava um enorme tambor e o rapaz estava sem camisa e vestia uma saia. Comecei a ter coceiras. Se tratava de mais uma daquelas malditas misturas de peças de teatro com estética circense com um quê de vulgata política. Um teatrinho de tese do mais vagabundo. Faz a gente desejar que o governo corte imediatamente as verbas direcionadas aos departamentos de artes cênicas.

Não teve jeito. A menina se acomodou exatamente do meu lado e começou a tamborilar em um ritmo especialmente irritante. Composto exatamente para desagradar o ouvinte. Enquanto ela agredia o tambor, o rapaz ficava de quatro no chão e dizia algumas coisas mais ou menos ininteligíveis. A minha reação - além da coceira - foi a que qualquer ser humano minimante sensato poderia ter: tentar atrapalhar, é claro. No fim da apresentação, o veredito era óbvio: que, com exceção do enterro de minha avó, aquilo era a coisa mais desagradável que eu já tinha visto na vida. Por fim, pus três moedas de 10 centavos no boné para irem embora.

Movimentos estudantis adoram esse tipo de teatro. Costumam pintar a cara e ir aporrinhar alguém em algum lugar. O problema é que essa modalidade de manifestação está cada vez mais com aspecto de mendigo. A intenção normalmente é chocar os pobres espectadores com alguma idéia, mas o máximo que andam conseguindo é chocar o nosso olfato. É nessas horas que qualquer pessoa um pouquinho só mais cínica dá uma risadinha quando lembra que Augusto Boal está agora fora de circulação.