Em primeiro lugar, tanto o texto “Humanas em universidades” quanto o que postei recentemente - “Adevogados S.A” - são humorísticos. Pensei que os nobres colegas iriam perceber isso. Como não perceberam, tive de remediar e colocar um aviso tardio no início do famigerado texto que me rendeu toda essa polêmica. A reação foi desproporcional. Desconfio que algumas pessoas se sentiram dentro de alguns estereótipos indicados. Mas isso me é de uma irrelevância absurda. Segundo, e agradeço o elogio, o fato de o blog possuir textos em que verso sobre assuntos sérios não faz dele um veículo monolítico. Eu posso começar a só contar piadas aqui se quiser. Posso começar também a criar contos pornográficos. Pode ser até uma boa idéia. Vou passar a ler Syang.
Sobre minha “cômoda posição de comediante” é de fácil dedução que é em relação aos dois textos que citei acima. Sobre os outros, não. Prova disso é que o texto “Bolsa Militância e a Sociedade das Idéias Mortas” gerou certa polêmica e eu jamais o tratei como brincadeira.
Mas voltando... Eu fiz uma graça – eventualmente pesada – com esses estereótipos e não me sinto nem um pouco obrigado a ficar justificando os motivos. Além, é claro, do conteúdo humorístico, os textos refletem também um pouco como eu vejo muitas pessoas dentro dos referidos departamentos. E é um direito expressar isso quando eu bem entender. Os textos soam preconceituosos? Sim. E daí? Mesmo que refletissem integralmente o que penso, eu ainda teria o direito a ter tais preconceitos. Por falar em preconceitos, eu não gosto de comunistas, teatro de rua, filmes engajadinhos, hippies, calças quadriculadas e mais um monte de coisas. Reservo-me o direito de não gostar dessas coisas sem ter a necessidade de justificar.
E não, eu não pretendo seguir na carreira humorística. Confesso até que isso já me passou pela cabeça. É um meio bem divertido de se ganhar dinheiro. Mas infelizmente eu não sou tão engraçado assim. E quem disse que eu nunca usei um pretenso humor para descolar “uma trepadinha com alguma desavisada?” A notícia ruim é que eu não fui suficientemente engraçado com minhas piadas. A “desavisada” não caiu na conversa e preferiu sair com o estudante de direito da mesa. Mas são águas passadas. Hoje, por uma maravilhosa ironia, namoro com uma estudante de, oh céus, direito. Meu conselheiro espiritual disse que é uma espécie de karma. Que seja, maravilhoso karma! Aliás, três dos meus melhores amigos são estudantes de direito.
Sobre seus conselhos humorísticos, agradeço. Já comecei a decorar algumas piadas. Já devo ter umas cinco do Ary Toledo na cabeça. E isso é sério!
Uma coisa que você disse eu certamente vou acatar. Sempre quando eu fizer uma piada ou um texto satírico, vou colocar um aviso antes. E não porque eu ache que deva fazer isso, pois eu não devo, mas para evitar que encham meu maravilhoso saco. No mais, se alguém leu essas sátiras e incorreu em pensamentos arrogantes ou preconceituosos, é problema de criação vinda de papai e mamãe. Eu não pratico autocensura. Não me pauto pelos outros. E não vou passar a me pautar pelos outros só porque eventualmente alguém leu meu blog e começou por acaso a detestar calças quadriculadas. E aí entro em outro ponto que você citou...
Sobre fazer piadas com “feridas históricas” e “traumas humanitários”, você provavelmente está se referindo a piadas racistas. Pelo menos foi o que eu entendi. Não sei se você notou, mas eu não fiz piadas racistas. E isso torna essa advertência meio sem sentido. O fato de sacanear alguns tipinhos não faz com que eu aprove piadas racistas. Simples assim.
Um filósofo tem respostas para tudo, partindo de estereótipos e preconceitos? Ou, justamente eles só sabem que nada sabem?
Nem uma coisa nem outra. Se um filósofo sério, no seu trabalho filosófico, parte de estereótipos e preconceitos, provavelmente não vai ser levado muito
Ah, estou sempre aberto ao diálogo. Mas eu prefiro que não seja com anônimos. Um dos poucos a mostrar a cara e reclamar pessoalmente comigo sobre o texto foi o estudante de direito que cito no último escrito satírico. Se alguém quiser conversar comigo, que converse, mas adoraria que me mostrasse a carinha.
Ah, você disse algo sobre o eventual poder dos meus textos. Acertou. Quero mesmo é dominar o mundo :)
Abraços e, sem cinismo, obrigado pelo recado. Mas da próxima, gostaria que se identificasse.
Cristo, acabei me justificando demais.
