14 de fevereiro de 2009

Nossa pequenez, nossa grandeza e uma homenagem para alguém que mais parece um anjo

Se eu te perguntar, anjo, onde você está agora, provavelmente vai responder que está em Brasília. Mais: se eu te perguntar as coordenadas do lugar onde está, isto é, latitude e longitude, algum programa ou aparelho te dará a informação e você, meio a contragosto devido a minha impertinência, vai me passar os dados. Durante esse processo, já parou para se perguntar qual é realmente o seu lugar no espaço? Voltando a fita. Você está em Brasília, por conseqüência no Distrito Federal. Assim, está na região centro-oeste do Brasil, país que se situa na América do Sul, que, por sua vez, faz parte de um hemisfério daquilo que chamamos de Terra (que era para ser chamado de Água; dê uma olhadela num globo terrestre e veja porque). E o raciocínio acaba por aqui. Acaba mesmo? Para começar, vamos falar um pouco sobre vaidade.

Voltemos a fita agora em, digamos, séculos ou milênios. Mesmo nesses tempos, sempre nos achamos uma espécie bastante especial. Somos por natureza seres muito vaidosos, de modo que se você passa 45 minutos na frente do espelho corrigindo algum pequeno detalhe nos cílios, é possível que haja uma explicação evolutiva para isso. Antes de prosseguir com o tema desse texto – que é mais ou menos nosso espaço no espaço – vamos a uma piadinha darwinista. Há milhares de anos, é bem provável que um dos critérios para um macho escolher a fêmea fosse algum diferencial estético que ele julgasse positivo nela. No caso dos homens, esse diferencial seria a possibilidade da manutenção genética. Talvez seja por isso que, a exemplo das moças vaidosas, alguns machos procuram ficar bastante fortes em academias. Algo mudou? Não fugimos muito do que realmente somos. Os machos de academia só se esquecem que atualmente força física não é o único atributo que garante sobrevivência.

Adiante. Nossa vaidade, além de penteados de cabelo e levantamento de peso, produziu algumas peculiaridades bastante engraçadas e algumas vezes perigosas. Costumávamos nos achar o centro de todo o Universo. Aristóteles, por exemplo, acreditava que era o céu que se movia. A Terra ficava parada. Muito cômodo! O cosmo tem todo o trabalho e nós ficamos aqui, parados, só observando. Ptolomeu, mais ou menos no mesmo período, chegou até a elaborar um sistema que dividia o céu em várias esferas que se moviam. No meio dessas esferas ficava a Terra. Com o passar do tempo, o cristianismo adotou essa visão chamada geocêntrica e isso adquiriu contornos teológicos. Bastante simples: é muito conveniente acreditar que somos o centro do Universo e termos, assim, certa proximidade exclusiva com Deus. A Igreja oficializou o geocentrismo e estávamos conversados.

Começa então a demolição das nossas vaidades. Ali pelo século XV, um cientista chamado Nicolau Copérnico sugeriu uma idéia um pouco extravagante. Segundo ele, a terra girava e as estrelas estavam paradas. Ele também chegou a dizer, corretamente, que nosso planeta girava em torno do Sol. Dessa forma, perderíamos toda a exclusividade cósmica. Não passaríamos de um planetinha qualquer em algum lugar da galáxia girando em torno de uma estrela também não muito especial. Um pouco depois, e sigo aqui a ordem temporal sugerida pelo grande Carl Sagan em Variedades da Experiência Científica, apareceu a idéia de que as estrelas eram sóis distantes que tinham também planetinhas girando em torno de si. Pronto! Além de a Terra ter deixado de ser o centro do sistema solar, tinha deixado de ser central também na galáxia, como costumávamos achar. O saudoso escritor britânico Douglas Adams disse com graça que estamos em alguma borda bem brega da galáxia. Anjo, você vai concordar comigo que é um duro golpe na vaidade humana. Como assim? Não estamos no centro de tudo? Não pode ser!

E a pancadaria em cima de nossas vaidades continuou. Como a Terra já não era o centro do Universo, a idéia corrente era que ela, pelo menos, tinha pouco tempo de vida desde sua criação. O motivo dessa teoria também é simples: quando diminuímos o tempo da terra, aumentamos automaticamente nosso grau de importância nela. Um teólogo, em algum ponto da Idade Moderna, chegou a declarar a partir de alguns cálculos baseados em genealogias bíblicas que a Terra havia sido criada 4004 anos antes de Cristo. Ele disse até o dia: um simpático domingo. Provavelmente ensolarado e bom para curtir uma praia. Para a infelicidade geral das nossas vaidades, as evidências sugerem que a Terra possui cerca de 4,5 bilhões de anos. Isso nos torna infinitamente insignificantes em escalas temporais. É como se tivéssemos aparecido no último milésimo de um dia.

Mas nossa vaidade parece ser infinita e não desiste! Já que não éramos o centro do universo e nosso planeta não era tão recente quanto imaginávamos, voltamos os olhos para nós mesmos. Julgávamos ser uma parte especial da criação. Achávamos que éramos bem diferentes dos animais. Porém, para de novo deixar algumas pessoas tristes, apareceu na Inglaterra um barbudo chamado Charles Darwin com uma teoria simples, elegante e devastadora. A idéia pode ser simplificada da seguinte forma: as espécies foram evoluindo ao longo do tempo de acordo com as condições do meio. As que tivessem mutações que facilitassem sua permanência no meio, conseguiriam, dada essa vantagem, propagar seus genes. Outras, com menos sorte, seriam extintas por causa da desvantagem comparativa. Isso recebeu o nome de Seleção Natural. A Teoria da Evolução das Espécies foi publicada em 1859 num período de grande conservadorismo religioso. Recapitulando: achávamos ser o centro do Universo. Não somos. Achávamos moradores de uma terra jovem criada por Deus. Não somos. Achávamos uma espécie absolutamente especial e, infelizmente, também não somos. Em algum lugar na cadeia evolutiva, Aline, meu anjo, você tem algum ancestral em comum com uma barata. Desagradável, não?

Que tal mais alguns golpes na nossa vaidade? Vamos brincar de nos sentir pequenos. Bem pequenos. Ao acabar esse parágrafo, juro, se sentirá uma bactéria. Somente em nossa galáxia, existem 400 bilhões de estrelas. Nosso Sol é apenas uma. A quantidade de galáxias além da nossa é da ordem de trilhões. E em cada um desses trilhões de galáxias, o número de estrelas é similar ao que vemos na nossa. O que significa, usando uma indução, que existem planetas em uma escala exorbitante. Daqui a aproximadamente cinco bilhões de anos, o Sol se expandirá e, por causa da catástrofe gravitacional, irá engolir a Terra. Isso significa que a Terra é mais ou menos uma senhora de meia idade, já que está perto da metade de sua vida útil. A distância do Sol até a Terra é de cerca de 150 milhões de km, a medida foi batizada de Unidade Astronômica (mais um sinal de vaidade?). Segundo estimativas, o Universo tem quase 15 bilhões de anos e continua em franca expansão. Dentro de tantos zeros, o que somos? O que significamos?

Significamos muito. Somos raros e, em certa medida que não leve em consideração delírios teológicos, podemos até ser um pouco vaidosos. A astronomia moderna, apesar de engatinhar, jamais encontrou nenhum sinal de vida inteligente em outro lugar. Nenhuma mísera onda de rádio de origem artificial foi recebida pelos inúmeros radiotelescópios espalhados pelo mundo. Nem se quer um “oi, tudo bem?” nossos possíveis amiguinhos verdes mandaram. O fato de haver tanta dificuldade para encontrar vida – inteligente ou não - fora daqui pode significar, no mínimo, que somos improváveis, que a vida é uma exceção, e não a regra. Que devemos cuidar desse planeta como o que ele realmente é: a nossa casa. Portanto, desde um agrupamento de moléculas em algum lugar de outras eras geológicas até o seu nascimento, sim, o seu, Aline Hanriot, temos uma cadeia maravilhosa de improbabilidades que se tornaram realidade. Conclusão: você, nessa cidadezinha em forma de avião, nesse planetinha minúsculo em meio a um Universo incomensurável, é preciosa, é rara. É uma das maravilhas que o Universo pode produzir! O azul dos seus olhos reflete o azul desse planeta, maravilhoso e raro.

Ainda não terminei. Veja isso, anjo: http://www.youtube.com/watch?v=HurA3M_CBJY


31 de janeiro de 2009

Qual a cor da chapa mesmo, camarada?

Segundo o site da revista Carta Capital, militante petista tem 50% de desconto em assinatura. Fosse a Veja concedendo descontinhos para, digamos, filiados ao DEM, o barulho seria grande. Mas do lado vermelho da força pode, e Mino Carta tem prazer em ajudar. 
Para quem duvidar:

27 de janeiro de 2009

Mais Fórum e a justiça de um lado só

O jornal O Globo noticiou que o Governo Federal gastou R$ 120 milhões de reais para a realização do Fórum Social Mundial, que este ano ocorre no Pará. Alguém protestou? Apropriação de dinheiro público para a causa, pode sim senhor. Mais: o Governo do Pará se encarregou de distribuir 600 mil camisinhas para os participantes do evento. Pelo visto, também querem foder com o uso do erário. Tudo muito justo. É em nome da causa. Então tá.
Justiça Cegueta
O ministro da Justiça Tarso Genro concedeu asilo político a Cesare Battisti, condenado por quatro assassinatos na Itália. Battisti fazia parte de uma organização de extrema esquerda quando cometeu os crimes. Se é assim, tudo bem. Quando, em 2007, dois pugilistas cubanos pediram o mesmo asilo político no Brasil fugindo de Cuba, o ministro os extraditou sem pensar. Matou pela causa? Sem problemas, justifica-se. Mas tentar fugir de um país onde a liberdade de ir e vir não existe há 50 anos, aí já não pode.

15 de janeiro de 2009

"Bolsa Militância" e a Sociedade das Idéias Mortas

Por volta do dia 25 de janeiro, um grupo de mais de 40 alunos da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) irá à Belém participar do Fórum Social Mundial. O que você, leitor, tem a ver com isso? Ora, besta, possivelmente é do seu interesse saber que você está pagando boa parte da aventura dos nossos revolucionários contra a globalização, o liberalismo e outros demônios intelectuais de mesmo calibre. Segundo o Departamento de Transportes da Universidade, serão gastos, no mínimo, cerca de R$ 4500 de combustível e mais R$ 2577,50 para os dois motoristas do ônibus. Antes de voltar à aventura de nossos peregrinos, algumas considerações.
O site oficial do Fórum nos conta que existirão discussões “democráticas” a respeito dos temas tratados. É claro que tal “democracia” se reduz à ortodoxia ideológica dos que lá estiverem. Ou seja, coloca-se a mão em cima das bíblias da esquerda e, a partir disso, se discute. Em 2005, um dos principais participantes do evento foi Hugo Chávez, aspirante a ditador da Venezuela. Alguns fatos sobre Chávez: pouco antes da invasão americana no Iraque, o venezuelano teve um cortês encontro com Saddam Hussein. O mesmo Saddam Hussein que usou armas químicas para acabar com boa parte dos curdos. Outro santo que caiu nas graças do venezuelano é Robert Mugabe, o ditador vitalício do Zimbábue ou, como quer Chávez, “guerreiro da liberdade”. Mugabe, em eleições recentes, tinha o hábito de formar milícias para forçar a população a votar e também gostava de eliminar alguns oposicionistas. Recentemente, Chávez, provando o que Orwell chamou de duplipensar, clamou ao mundo que George Bush fosse julgado por crimes de guerra. Com “amigos” como Hussein, Mugabe e, mais recentemente, Ahmadinejad, fica difícil engolir as bravatas humanitárias do venezuelano. Tinha que ser o Chávez mesmo!
E por que tantos fatos sobre Chávez? Ora, um evento que tem como uma de suas principais atrações as idéias de um defunto ideológico como Hugo Chávez deve ser visto com, no mínimo, desconfiança. Além disso, nossos revolucionários universitários, variação daquilo que Mendonza, Montaner e Llosa chamaram com sutileza de “perfeito idiota latino-americano”, devem parar de usar a palavra democracia em seu vocabulário. A revolução socialista solapa qualquer democracia viável por um motivo muito simples: colocando-se o aparato estatal a serviço de uma intitulada classe, o poder ficará eternamente nas mãos dessa classe. O resultado disso pode ser visto em Cuba, onde o mesmo mandatário mandou por quase 50 anos com mãos de ferro. Mais: a revolução solapa qualquer tipo de liberdade econômica. Não à toa os principais representantes da nossa esquerdopatia são antiliberais e estatistas. Ou seja, mais Estado e menos indivíduo: a tradicional obesidade institucional e burocrática que sufoca o espírito empreendedor e beneficia o clientelismo e a ineficiência.
Toda a esquerda é estúpida e retrógrada? Não. Basta olhar para o Chile da presidente Bachelet. Ela viu na abertura do país aos investimentos estrangeiros, na proteção à propriedade privada, na não alteração arbitrária das regras do jogo econômico e na noção de que a iniciativa privada produz mais riqueza que o Estado ótimas chances de gerar renda e, conseqüentemente, menos pobreza. Com a continuação da economia de modelo liberal, o Chile apresenta os melhores resultados da América Latina. Cita-se também o Brasil. Quando Lula, antes líder sindical, chegou ao poder, fez tudo aquilo que não se esperava de um esquerdista radical. Ou seja, agiu segundo o mercado. Pagou a dívida que tinha com o Fundo Monetário Internacional (FMI) – outro monstro que nossa militância odeia sem saber direito o motivo -, terminou o primeiro mandato com um superávit comercial de 40 bilhões de dólares e com uma inflação inferior a 3%. Mesmo com vários escândalos de corrupção em seu governo, conseguiu se reeleger com ajuda do bom desempenho econômico. Qual, então, a reação do nosso militante? Insatisfação, claro. Os amantes do fracasso e do coitadismo não podem ver cifras positivas que rapidamente se levantam em diatribes contra qualquer coisa parecida com eficiência. É evidente que falta muito para a América Latina ter algum tipo de desenvolvimento semelhante às grandes economias liberais. Isso se deve a antiquários ideológicos de caudilhos como Chávez – que o que tem de burro tem de burro -, Morales e Correa e, principalmente, como assinalou o economista Roberto Campos, por causa de práticas como o mercantilismo patrimonialista, o estatismo e o nacionalismo.
Nossos revolucionários universitários entendem isso? Provavelmente não. Aliás, como assinalou Luiz Felipe Pondé em artigo escrito na Folha de S. Paulo há algum tempo, a militância socialista não costuma ser o maior exemplo de desempenho acadêmico. Em boa parte dos casos são apenas inocentes com sonhos revolucionários que nem se deram ao trabalho de ler ao menos Marx. Como disse Reinaldo Azevedo, atualmente o marxismo não produz mais nem mesmo marxistas.
Volto para a viagem de nossos estudantes. Será que quem tem um pensamento um tanto mais liberal e que, evidentemente, está custeando a viagem, será representado? Provavelmente não. Um “por que no te callas” vindo de um liberal não seria levado em consideração. Afinal, as premissas do encontro parecem já estar definidas. No final, provavelmente, como dito no início do texto, é só mais uma aventura estudantil. De militância vaga, boboca e intelectualmente nula. A antiga expiação de nossas mazelas pela cultura da inveja, característica de quem é avesso às responsabilidades individuais e delega ao Estado o papel eterno de pai.
A pergunta é: vale a pena gastar recursos do erário para bancar militância?

20 de dezembro de 2008

Vandalismo também é arte

Recentemente, Pivetta, pichadora profissional, foi solta da cadeia. Não faltou intelectual que defendesse a meliante que pichou um andar da Bienal de São Paulo. Intelectuais costumam ser um problema para o país. Quando defendem algo, muito provavelmente devemos acreditar no exato oposto. Não costuma falhar, sobretudo no Brasil. Neste caso não seria diferente: se o mandatário da pasta de cultura do estado ligou para o governador José Serra implorando para soltá-la, é sinal praticamente inequívoco que deveria continuar presa. 
Pivetta faz parte de um grupo chamado Sustos. As contribuições que os Sustos dão à humanidade são o emporcalhamento das ruas, o vandalismo e a depredação do patrimônio público. Como nosso patrimônio público não vale tanto assim, a maior contribuição de Pivetta e seu bando é o analfabetismo. Em uma das pichações na Bienal se lê "Abaixa a ditadura". Nos anos 60 e 70, ao menos, a frase era escrita corretamente nos muros. 
Há quem defenda que a pichação é uma forma de arte. Precisa de muita masturbação intelectual para achar que um "Comando Máfia Azul" pichado no túnel da lagoinha, em Belo Horizote, é uma manifestação artística. Se for arte, sem problemas, aceito. Eu não vou discutir com pichadores. Os artistas da pichação também costumam ser excelentes na arte do tiro. Agora, porém, eles não precisam mais bater, atirar ou fugir da polícia. Basta citar uma passagem de um intelectual qualquer e tudo se justifica. A tentativa de coibição do ato de pichar se transforma, automaticamente, na mais perniciosa censura à arte. 
Chegamos em um tempo que meliantes pichadores não são mais meliantes pichadores. Agora são paladinos da arte vanguardista. Aguardo ansiosamente que o muro de frente para minha casa seja declarado patrimônio artístico. Nele se encontra a inscrição "é nóis". Também quero ser artista. Vou comprar meu spray já. 

12 de setembro de 2008

Humanas em universidades

ATENÇÃO, IDIOTAS: TEXTO MERAMENTE HUMORÍSTICO!

Existem alguns tipos clássicos de estudantes dentro dos departamentos de humanas das universidades. Se o curso for filosofia, então, é melhor ir embora para casa e fumar o baseado sozinho. Mas mesmo assim vale a pena clarificar a fauna. Voltando aos tipos. Existe o tipo gay. O tipo gay é auto-explicativo. O tipo gay dá a bunda – não diga! Evidentemente ele dá a bunda de forma filosófico-contestadora. Isto é, como o nosso padrão moral cristão não permite que uma pessoa dê ou venda o seu próprio ânus, o tipo gay irá dar o marquês de rabicó num ato que objetiva minar a autoridade do sistema moral vigente (claro, também, que poderá evocar a antiga Grécia para praticar o ato). Aliás, nem precisa ir muito longe: se Foucault dava a bunda, que mal há em compartilhar o anel? Além do mais, esse papo de heterossexualidade é algo muito fora de moda. É mainstream por demais. Não cola. Para muitos estudantes de humanas, é cool dar o rabo. Lembrando que cool é uma palavra cool, e todas as palavras cool são muito, mais muito gays. Mais gay do que isso só um filme do Pedro Almodóvar.

Há também o tipinho comunista. Antes de tudo: o tipo comunista se identifica pelo cheiro. Qualquer pessoa dentro de um departamento de humanas que estiver com o cheiro da cueca do seu pai após um prazeroso futebol é um comunista. Semelhantes aos gays, os comunistas gostam de dividir. Os bens alheios, é claro. Jamais os seus. Os comunistas universitários usam tênis Adidas, camisas Nike, cuecas Zorba e, quando transam, camisinhas Jontex. Apesar disso, são os primeiros a atacar a propriedade privada e a livre iniciativa. Defenestram Smith e Milton e idolatram Marx e Engels, mesmo que usufruam de todas as benesses de um livre mercado. Obtusos, adoram a figura de Che Guevara e andam por todos os lados com a camisa do fuzilador argentino. A barba também é um item interessante. Os comunistas andam com a barba por fazer. Barba bem feita é coisa de pequeno-burguês neoliberal amante do imperialismo norte-americano. A barba parece passar certa áurea proletária ao usuário. Maravilha! O problema é que os celerados jamais, eu disse jamais, irão pegar em uma enxada. Comunismo é bom no país dos outros.

Dentro dos tipos comunistas, há uma subdivisão que merece ser contemplada: os militantes estudantis. Em primeiro lugar – e isso é uma verdade absoluta -, nada pode ser mais chato, pedante, escroto, maldito, filha-da-puta, desgraçado, fedorento e lazarento do que um militante estudantil. O adjetivo fedorento é usado pelo fato de que quase todo militante estudantil é um comunista. Tal tipo quase sempre faz parte do diretório central dos estudantes da universidade. Se não faz parte do DCE, certamente fará parte do centro acadêmico - CA. A diferença entre DCE e CA? Nenhuma, ambas costumam ser uma boa merda. O militante estudantil, evidentemente, é um entusiasta da União Nacional dos Estudantes – a famigerada UNE. Ele acha que a UNE é muito massa. Ele acha que a UNE é muito bacana. Ele acha que a UNE é bastante imparcial. E apesar de saber que a UNE é um dos maiores instrumentos utilizados pela esquerda revolucionária para idiotizar otário, nega isso até o fim. É impressionante como aluno de curso de humanas acha bonito ser revolucionário. Nada como discutir a mais-valia pelo Orkut.

Existe ainda o tipo pseudo-intelectual. É preciso frisar que o tipo pseudo-intelectual é mais identificável pela vestimenta do que pela mente, apesar de já se perceber um espécime típico pelo papinho pedante. A roupa apenas o identifica de longe. O tipo pseudo-intelectual usa óculos de aro grosso. Isso é imperativo: não há como simular conteúdo sem ter óculos com aro grosso. Se você não tem, compre. Caso não tenha problemas visuais, use mesmo assim. Outro item interessante é a calça quadriculada. Apesar de não ser um item obrigatório, pega bem. Mas a calça pode ser substituída por outra, jeans, desde que não seja de marca da moda e seja cool. Gostar de filmes europeus de baixo orçamento é imperativo. Se não conhecer nada de Godard ou Bergman, está fora. Nem adianta choramingar. Conhecer apenas filmes americanos indica que você é parte da massa. Literatura, sobretudo autores franceses, são bem apreciados. Se você leu Sartre, Camus, Baudrillard, a bicha do Foucault ou algum outro francês e saiba, com média propriedade, masturbar o pensamento de tais autores, você será aceito no meio. Mas voltando às roupas. Não se esqueça: óculos de aro grosso e calça quadriculada (ou jeans) são imperativos. Recomendam-se também mochilinhas de pano e sandálias estilo Moisés. Vale lembrar que os tipos pseudo-intelectuais frequentemente participam do primeiro grupo listado neste texto. Não é uma regra, mas não dá para confiar. Em tempo: fume. Fume com estilo. O modo de pegar o cigarro diz muito sobre sua robustez intelectual. Se você pegar o cigarro com o polegar e o indicador, você não é um intelectual, e sim um pedreiro. Um intelectual faz assim: ele senta, cruza as perninhas, tira o cigarrinho da mochilinha de pano, pega o cigarrinho com o indicador e o médio, acende, traga e - preste atenção nisso - sopra a fumaça olhando para o lado oposto da mão que segura o pequeno cilindro. O fato de existir a possibilidade de você desenvolver um câncer, enfisema, ficar broxa e morrer deve ser desconsiderado. Fumar é estilo. Fume e não discuta. Com tais figuras povoando os departamentos de humanas, é melhor mesmo que as verbas para pesquisa nessa área sejam muito, mas muito bem dosadas.

Até mais, “camaradas”.

6 de maio de 2008

Eis o Islã

Uma adolescente foi brutalmente apedrejada até a morte por um grupo de homens no Iraque. O crime de Du'a Khalil, de 17 anos, foi ter se envolvido com um rapaz de segmento religioso diferente do praticado pela família da moça. O fato correu o mundo e o vídeo da execução ganhou grande repercussão. De imediato, só consigo fazer uma pergunta: cadê os profetas do relativismo cultural? 

Pra quem tiver estômago de ver o vídeo:
http://www.flurl.com/item/Stoning_u_249318_original

6 de abril de 2008

Europa para os árabes?

O jornal francês Le Figaro noticiou recentemente que em cerca de 20 anos os muçulmanos poderão ser maioria em Bruxelas, capital da Bélgica. Não só em Bruxelas. A Europa vivencia um aumento vigoroso do número de árabes em suas principais cidades. Quem quiser visitar o velho continente, que vá logo. Se assim continuar, em pouco tempo os islâmicos conseguirão destruir séculos de cultura e história. São atrevidos, não se contentam com moradia e trabalho. Querem as leis e costumes ocidentais adaptados aos caprichos maometanos.

Um de meus sonhos é visitar a Europa. Provavelmente terei de me apressar.

25 de março de 2008

Líder de baderneiros faz apologia à baderna

Leio no Estadão que o dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stédile classificou como “idiotice” a liminar que proíbe o movimento de “incitar e promover atos violentos” contra a mineradora Vale. Stédile também afirmou que o MST continuará lutando pela reestatização da empresa.

Até onde se sabe, a principal ocupação do Movimento dos Sem Terra é a invasão de propriedades privadas sob o pretexto da reforma agrária. Resta saber o que privatizações ou reestatizações de companhias têm a ver com isso. Querem baderna. Piquete.

Que se cuidem os estudantes, em pouco tempo teremos cotas para sem terra em universidades públicas.

17 de março de 2008

Vitimismo pentecostal

Repercutiu a cena de Duas Caras, novela de Aguinaldo Silva, em que uma trupe de evangélicos fanáticos agride fisicamente um triângulo amoroso formado por dois homens e uma mulher. A Igreja Universal foi a primeira a se ofender. A alta cúpula da seita utilizou seu departamento de jornalismo para alegar preconceito na ficção. Que a IURD iria reclamar era óbvio. Qualquer movimento da Globo respinga no quintal de Edir Macedo.

O que surpreende é a aparente amnésia da Universal. Em 1995, um pastor da igreja causou comoção ao espancar em rede nacional uma estátua de Nossa Senhora. O próprio Macedo já demonstrou seu apreço às outras religiões, em especial as de origem africana, com o livro “Orixás, Caboclos e Guias – Deuses ou Demônios?”. A obra foi tirada de circulação em 2005 pela justiça.

Aliás, bastante estranho setores evangélicos munidos de reclamações contra, justamente, preconceito religioso. Irônico.