Apesar de algumas belezas naturais, nunca entendi porque tantos turistas europeus visitam o Brasil. Em épocas festivas proliferam máquinas fotográficas e cabecinhas loiras. São ingênuos, vivem em civilizações mais avançadas. Por esse motivo se transformam em presas para toda sorte de pivetes, trombadinhas, desocupados e assaltantes. Morro de medo quando alguma celebridade internacional se hospeda no Rio de Janeiro. Se ela disser que pretende caminhar na praia, entro em pânico e evito ligar a televisão. Quando vai embora, descanso a cabeça no travesseiro e durmo aliviado.
Depois de certo tempo comecei a entender. Assim como os antropólogos, que se enchem de júbilo com uma tribo selvagem numa floresta qualquer, os europeus viajam para cá a fim de ver o exótico. Contemplam o espetáculo da pobreza, do jeitinho e da malandragem.
Há mais ou menos um mês, a Agência Federal de Comércio Exterior da Alemanha publicou um guia destinado aos empresários germânicos com o nome de “Como Sobreviver no Brasil”. De acordo com a BBC, o livreto “sugere, entre outras coisas, vestir roupas simples e evitar reações bruscas durante um assalto”. Vou mais longe. Aposto que em pouco tempo os seguros de vida europeus não incluirão visitas ao Brasil em suas cláusulas de contrato.
Mesmo assim, o risco ainda parece valer a pena. Somos prodígios como ninguém na arte do turismo sexual. Boa parte do dinheiro deixado por turistas, principalmente no nordeste, deve-se a esse ramo da economia a qual somos tão eficazes. Uma prostituta em moeda barata é sempre negócio mais vantajoso. O Brasil é a solução.
Quando voltam para suas casas em Londres, Paris, Madri e Estocolmo, dividem com seus pares as experiências exóticas com um povo mal educado, mas que tem lá seus encantos. Mas no fim das contas, devem concordar com uma frase atribuída ao ex-presidente francês Charles de Gaulle. Nos anos 60, em uma visita ao Brasil, Gaulle teria dito que "Le Brésil n’est pas um pays sérieux". A frase não precisa de tradução.


